De repente eu percebo como é preciosa a vida!

Ela é Coen Sansei. Monja Zen Budista brasileira, que aqui neste post responde a uma antiga pergunta que fiz a mim mesma sobre a existência e reconhecimento de Buda do gênero feminino (ou sem gênero, transgênero…). Sei que essa pergunta sob a filosofia budista será analisada de forma muito ampla, para além das questões de gênero. Lembro que minha curiosidade surgiu quando tinha uns 18 anos, quando por acaso me caiu um livro sobre Dalai Lama nas mãos. Fui buscar na literatura mas somente encontrava nas genealogias as histórias do renascimento de meninos Budas.
Geralmente trago conteúdo de luta, hoje a palavra é de paz e está com a Monja Coen – A estrela do Zen Ativismo – que no vídeo abaixo vem colocando os pingos nos is sobre o que faz uma pessoa mudar.
Interessante analogia, ao final me toquei que fui o tipo de cavalo que deu passo só quando veio a notícia “13 meses”…

[BREVE BIOGRAFIA DA MONJA SOUZA COEN

Nascida em São Paulo, SP, Brasil, no ano de 1947.

Foi jornalista profissional em sua juventude, tendo sido repórter do Jornal da Tarde, vespertino da empresa S.A. O Estado de S.Paulo – uma das maiores empresas jornalísticas do Brasil.

Na década de 1970 foi morar em Los Angeles, na California, trabalhando como funcionaria local do Banco do Brasil S.A.

Nessa época iniciou práticas regulares de zazen no Zen Center of Los Angeles.

Tornou-se residente da comunidade de Los Angeles e fez os votos monásticos em 14 de janeiro de 1983.

No mesmo ano, em Outubro, entrou para o Mosteiro Feminino de Nagoya, Aichi Senmon Nisodo e Toku Betsu Nisodo, onde residiu por oito anos, tendo se graduado como monja especial (Tokuso), habilitada a ser professora do Darma Budista de monges, monjas, leigos e leigas.

Durante seu treinamento no Mosteiro de Nagoya foi a primeira Shusso na história do Mosteiro Feminino, sob orientação da Abadessa, Aoyama Shundo Docho Roshi.

Praticou como Tokuso (monja especial) por três anos tanto no Mosteiro de Nagoya como num programa especial da tradição Soto Shu para professores de mosteiros.

Recebeu a Transmissão do Darma do Reverendo Yogo Suigan Roshi, então abade do Mosteiro Saijoji, em Daiyuzan, Odawara e vice abade superior do Mosteiro Sede de Sojiji, em Tsurumi, Yokohama.

Foi seu mestre de transmissão, Yogo Roshi, quem deu a ela o nome do templo a ser constituído no Brasil: Tenzui Zenji- Templo Zen Seguidor do Céu, da Imensidão.

Por isso, o Reverendo Yogo Roshi, Zengetsu Suigan Daiosho é considerado o Fundador do atual Templo Taikozan Tenzui Zenji, em São Paulo.

Juntamente com o Reverendo Koun Taizan Hakuyu Daiosho (Maezumi Roshi) e da Reverenda Kakuzen Shundo Daiosho ( Aoyama Roshi) – seus três mestres: de Transmissão, de Ordenação e de Treinamento Monástico.

Também são homenageados nas liturgias matinais o Reverendo Junnyu Kuroda Roshi e Koshin Shozan Osho (Murayama Sensei) que contribuíram para a constituição do templo no Brasil – com imagens, objetos litúrgicos e ensinamentos.

A Monja Coen também praticou no Templo Kirigaya-ji, em Shinagawa, Tokyo e no Templo Daishoji, em Sapporo, Hokkaido, atendendo as comunidades locais com serviços memoriais, enterros, preces nas residências, casamentos e práticas de zazen para crianças e adultos. Residiu no Japão por doze anos.

Casou-se com o monge Shozan Murayama, que foi eleito Presidente da Comunidade Soto Zenshu da América do Sul, no Templo Busshinji de São Paulo e foi um monge muito importante para o fortalecimento do Templo Busshinji, depois de sua reforma e do retorno do então Superintendente Geral, Daigyo Moriyama para o Japão. Reverendo Shozan Murayama incentivou os monges locais a perseverar em suas práticas monásticas, ajudou na formação de novo monges e monjas e nos cursos de Preceitos e Procedimentos, reorganizou a parte administrativa/financeira do Templo Busshinji, solicitou à sede administrativa no Japão – Shumucho – que enviasse professores de Baika para orientar novas praticantes e reorganizar os grupos de Baika espalhados pelo Brasil, criou Cursos para leigos e leigas sobre a tradição Soto Shu, organizou o primeiro encontro inter budista totalmente falado em Portugues, em São Paulo.

Reorganizou o Ihaido e Nokotsu Do do Templo Busshinji, construiu os altares para as imagens de Xaquiamuni Buda, mestre Dogen e Mestre Keizan, trouxe zafus do Japão para o Zazen, fez dedetização completa das imagens contaminadas por cupins, bem como do livro de Dai Hannya. Reativou relacionamentos de praticantes que haviam se afastado do Templo Busshinji, permitiu às mulheres que votassem nas eleições de Diretoria (eram proibidas de o fazer), bem como dos praticantes de Zazen (que também não eram permitidos nas eleições da Diretoria da Comunidade). Seu trabalho insistente contra qualquer tipo de discriminação preconceituosa acabou criando dificuldades de relacionamentos com alguns membros das antigas diretorias.

Retornou ao Japão, em 2001, depois de haver se divorciado da Monja Coen, e se tornou responsável por um templo em Yokohama. Faleceu em 3 de fevereiro do ano de 2005, deixando esposa e uma filha pequena, no Japão.

A Monja Coen e o Monge Shozan foram, em 1995, nomeados Missionários da tradição Soto Shu para o Brasil e serviram a comunidade do Templo Busshinji, na cidade de São Paulo até o ano de 2001.

Durante esse período o Templo Busshinji, cuja Sala de Buda (Hondo) acabara de ser reconstruída pelo Reverendo Daigyo Moriyama Sookan Roshi, teve um aumento considerável de atividades – tanto com descendentes da colônia japonesa no Brasil como com pessoas de outras etnias. Houve grande solicitação por parte dos primeiros imigrantes japoneses, sediados em São Paulo, para que a Monja Coen oficiasse as celebrações e falasse, também em Portugues, para seus netos e netas. Queriam essas pessoas que seus descendentes pudessem entender o Darma de Buda e seguir a tradição ancestral.

Foram realizados inúmeros serviços memoriais, enterros, práticas de Zazen, palestras, encontros inter religiosos, trabalho comunitário em parceria com outros templos, lojas maçônicas e com a Associação dos comerciantes do bairro da Liberdade, onde o templo está inserido, início de aulas de Baika com professores vindos do Japão e visitas regulares às cidades ligadas à Soto Shu, no Brasil. Foi reiniciado também, nessa gestão, o Bazar do templo, as aulas de caligrafia e Shakyo – cópia de sutras. Foram reativadas as aulas de Ikebana, suspensas desde o retorno da esposa do Reverendo Shingu Sookan para o Japão.

Também houve grupos de práticas de Karate-Do, Ninjutsu-Do e Kenjutsu Do, em horários em que o templo não mantinha atividades religiosas regulares.

Em 1996, a Monja Coen foi nomeada Presidenta da Federação das Seitas Budistas do Brasil, por um ano.

Foi também nomeada Presidenta do Conselho Religioso do Templo Busshinji por cinco anos e eleita Presidente da Comunidade Budista Soto Zenshu da América do Sul, com sede no Templo Busshinji de SP.

Nessa ocasião, foi enviado do Japão para o Brasil, como Superintendente Geral para a América do Sul, o Reverendo Miyoshi.

Foi em 2001, quando a Monja Coen deixou o Templo Busshinji – este em plena atividade e crescimento – e iniciou um pequeno grupo de Zazen em casa de um praticante.

Em pouco tempo a sala ficou pequena.

O grupo se prontificou a alugar um local maior e foi criada oficialmente a Comunidade Zen Budista Zendo Brasil, Templo Tenzui Zenji.

Nessa época também foram iniciadas caminhadas meditativas em parques públicos, com o intuito de levar o Zazen e o Kinhin (meditação caminhando) à população paulistana.

Depois de seis anos, o local, novamente se tornou pequeno e foi alugada a casa atual, onde está instalado o Templo desde 2006.

Anualmente há um Curso de Preceitos Budistas, que se reúne todas as segundas feiras à noite no templo e um Curso On-line de Budismo.

Há também um grupo de estudos budistas todos os domingos às 20h, além das programações regulares: Zazen para iniciantes, palestras, zazen e leitura de textos dos fundadores Mestre Dogen e Mestre Keizan, entrevistas individuais com praticantes.
Um sábado por mes é dedicado a um zazenkai chamado Zen da Paz.

Desde que chegou ao Brasil a monja Coen tem sido convidada a dar palestras para empresas, bancos, escolas, hospitais, universidades, órgãos públicos, incluindo e a Presidência da República do Brasil.

Também tem sido convidada a programas de televisão, rádio e entrevistas a jornais e revistas – tanto no Brasil quando nos Estados Unidos, Europa e Japão.

Iniciou há anos um trabalho voluntário no Hospital Emílio Ribas, para pacientes com doenças infecto contagiosas ( a maioria HIV positivo) – levando as práticas meditativas como terapia complementar no processo da recuperação ou da passagem dos e das pacientes. Também formou grupos de meditação entre médicos, médicas e a enfermagem do hospital.

Participou de uma pesquisa científica sobre os efeitos de um Sesshin (retiro) de cinco dias em vários grupos de pessoas com características diferentes, junto ao Hospital Einstein e a Universidade Federal do Estado de São Paulo. Esse trabalho incluía ressonância magnética antes e depois dos cinco dias de zazen e tem sido publicado nas principais revistas de neurosciência internacionais.

Tem oficiado inúmeros casamentos, bênçãos (gokito) para residências, empresas, escritórios e bênçãos (gokito) para crianças e recém-nascidos.

Em 12 de Outubro de 2007 foi celebrada a Cerimonia de Shinsan Shiki (Ascender à Montanha) da Monja Coen, com a presença do Reverendo Sookan Roshi Saikawa Docho, que deu ao templo o seu segundo nome: Montanha Luz da Paz (Taikozan). Também estiveram presentes o Reverendo Junyu Kuroda Roshi, do Templo Kirigaya de Tokyo e a Reverenda Egyoku Nakao do Zen Center of Los Angles – entre outros monges e monjas dos Estados Unidos, do Brasil e do Japão.

Entretanto, como o Templo está localizado em uma casa alugada, a Sede Administrativa do Japão, ainda faz restrições quanto a regularização e reconhecimento do Templo Tenzui Zenji.

Monja Coen já ordenou mais de trinta monásticos, entre homens e mulheres e mais de 250 pessoas laicas.

Há grupos orientados pela Monja Coen espalhados em vários estados brasileiros e um grupo em Zürich, na Suiça.

Em 2013 fez as duas primeiras Transmissões do Darma: Monja Zentchu Silva, que atualmente reside e pratica no Mosteiro Feminino de Nagoya e Monge Dengaku Bandeira, que é o orientando da Monja Coen responsável pelo grupo do Via Zen e Vila Zen, do Rio Grande do Sul, onde está sendo construído um templo, em um terreno rural, doado à comunidade há muitos anos.

Seus dois primeiros discípulos: Monge Enjo Stahel e Monja Isshin Heavens, foram transmitidos por monásticos japoneses e atualmente praticam no Brasil, independentes da Monja Coen.

Escreveu dois livros : Viva Zen e Sempre Zen, traduziu o livro de sua superiora e mestra do Darma, Aoyama Shundo Docho Roshi (Utsukushi hito ni – Para uma pessoa bonita), supervisionou a edição do livro Zazen, compilado pela Comunidade Zen Budista Zendo Brasil, traduziu os Sutras usados nas liturgias diárias da Soto Shu e algumas outras obras relacionadas a ordem Soto Shu, bem como alguns capítulos do Shobogenzo, Denkoroku, Shinji Shobogenzo e
Eihei-genzenji-shingi.

As atividades da comunidade incluem zazen e cerimonia matinal todos os dias da semana. Seguindo todos os cerimoniais arregimentados pela Soto Shu.

Dois períodos de Treinamento Intensivo por ano.

Retiros (sesshin) principais: Hoon Sesshin e Rohatsu Sesshin, além de outros retiros e vivências Zen durante o ano.

Treinamento especial para noviças, noviços e monásticos, monásticas duas vezes ao ano.

Retiros regulares no VilaZen, no Rio Grande do Sul, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro e em Brasília, DF.

Atualmente a Monja Coen reside no templo Tenzui Zenji, em São Paulo, onde é presidenta do Conselho Religioso da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil e do ViaZen/VilaZen do Rio Grande do Sul.

Há dois sites relacionados:
www.monjacoen.com.br
www.zendobrasil.org.br ]

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